Estudar em outra cidade: a mais difícil e importante viagem da vida

Estudar em outra cidade: a mais difícil e importante viagem da vida

Rio Grande. É, isso mesmo, não é New York ou Bangkok, é Rio Grande, no Rio Grande do Sul! O quase fim do Brasil (ou o começo, né?), dona da maior praia do mundo, do estaleiro, do lado da terra do doce.

Eu acredito que conhecer qualquer lugar novo transforma a gente, acredito que lugares e pessoas fazem de nós o que somos. Mas Rio Grande foi diferente. Uma viagem longa, de 6 anos (sim, eu me mudei com data para voltar, final de 2018!), cheia de idas e vindas motivadas pela saudade. É a viagem mais desejada e odiada da minha vida e, se não fosse ela, eu não faço ideia de quem eu seria hoje.

Explicando-me:

Vim parar aqui atrás do maior sonho da minha vida. Depois de anos, de muitas tentativas e frustrações, aqui estava minha tão esperada vaga na Medicina, na FURG – universidade da qual tenho imenso orgulho.

E foram inúmeras mudanças ao mesmo tempo. E distância, muitas distâncias. Da minha família, do meu namorado, dos meus amigos, da minha afilhada, da minha casa. Quando eu cheguei aqui parecia que tudo que me fazia feliz estava sempre a 350km de mim.

Mas  Rio Grande tem, sim, seu charme e eu fui descobrindo isso com o tempo. A praia do Cassino é nosso xodó.

Uma praia gigantesca, que bomba no verão da metade sul do Estado com vários lugares legais pra ir. Mas que fica meio deserta no inverno pelo frio (que eu adoro) e pelo movimento pendular dos rio-grandinos: verão no Cassino e o resto do ano “na cidade”, como se diz por aqui.

Em Rio Grande, a gente toma mate na beira da Lagoa dos Patos e aprecia o nascer da lua no Cais. Já o pôr do sol mais lindo é no Cassino ou na orla da rua Henrique Pancada.

Tem a travessia para a cidade de São José do Norte, de balsa, cujo trajeto é uma delícia e lá é obrigatório ir até o Atalaia, na praia do Mar Grosso, comer peixe e camarão muito frescos por um precinho muito camarada. À noite, jantar no Casa Europa Gastrobar, um lugar aconchegante onde tudo é uma delícia e o chef que comanda a cozinha já ganhou prêmio na Ana Maria Braga (chique).

 

Fora isso tudo, e o mais importante,  eu ganhei uma nova família composta de amigos que seguram minha mão toda vez que a saudade dói demais (e dói muito quase todos os dias). Eles cuidam de mim quando eu preciso, me fizeram uma pessoa melhor, compartilham comigo o mesmo sonho e que fazem a minha estada aqui ser verdadeiramente feliz.

E nisso se vão 4 anos já, de aprendizados que eu nem sei numerar, até porque a Medicina é uma viagem à parte nisso tudo. Mas eu cresci e amadureci de uma maneira inimaginável vindo morar sozinha nessa cidade grande com alma de cidade pequena, convivendo com colegas de todas regiões do Brasil e aprendendo a gostar desse lugar que abriga a maior jornada da minha vida, até então.

* Texto de Jéssica Nonemacher Gonçalves, estudante de Medicina que mora em Rio Grande (RS) e que sempre que pode volta para sua casa, em Sapucaia do Sul. A futura médica tem outra paixão: a labradora Pérola e a praia de Ponta das Canas, em Santa Catarina!


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